Esboço de Sermão: Rendição Total

 



“Venha o teu Reino. Que a tua vontade seja feita aqui na terra como é feita no céu!” (
Mateus 6.10)


  • O Reino de Deus se manifesta onde a vontade de Deus é feita.
  • A pergunta central: “Qual vontade reina em sua vida, sua família, sua igreja?”
  • Onde reina a vontade humana (seja na sua vida, na família, na igreja), ali não está o Reino de Deus, mas o reino da vaidade, do orgulho e da cobiça.
  • O convite do sermão: entregar sem reservas sonhos, ministérios, famílias e vidas ao senhorio de Cristo.
  • Só através da Rendição Total nós podemos compreender Deus, ser libertos do pecado e aceitar a dor.

1. Render-se para Compreender de Deus

“Aqui está a serva do Senhor; que me aconteça conforme a tua palavra” (Lucas 1.38)

Diante de uma missão humana e culturalmente impossível (uma virgem grávida), além de perigosa (risco de rejeição e até morte), Maria se apresenta como alguém sem direitos próprios (doulē, “serva” em grego), totalmente submissa à vontade do Senhor.

Maria não pede explicações extras, não negocia, não tenta impor condições. Ela se entrega em fé, mesmo sem compreender totalmente.

Guarde isso: Compreender Deus não é ter todas as respostas, mas confiar na Sua palavra.

Coloque em prática:
Quando não entendemos o caminho, rendição é dizer: “Senhor, cumpra-se a tua palavra na minha vida.”

Nossas guerras: A compreensão de Deus (texto de Andréa Guimarães)

Tentei vencer essa guerra, eu confesso
Minhas mãos ficaram machucadas, pesadas, cansadas
Tentei encaixar Deus em meus limitados conceitos
Defini-Lo a partir do meu embaçado espelho
Não entendi seus caminhos... Questionei suas ordens.
Duvidei de seu silêncio.
Pequeno, pensava saber explicar
Aquele que é o Totalmente Outro.
Até que, exausto, parei para O ouvir:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do
conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos,
e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?
Porque dele, por dele, e para ele são todas as coisas.”
Maravilhosa contradição!
Em me entregar, conheci a alegria.
Em me prostrar, saboreei o descanso.
Em me render, fui inundado de paz.

2. Render-se para Aceitar a Dor

a) Jesus no Getsêmani

“Pai, se possível, afasta de mim este cálice; todavia, seja feita a tua vontade” (Mt 26.39).

No Getsêmani, Jesus enfrenta a agonia da cruz ao carregar o pecado do mundo e experimentar o abandono do Pai. Jesus pede que o Pai Celestial afaste dele o “cálice” (potērion) — símbolo da ira de Deus (cf. Sl 75.8; Is 51.17). Jesus ora pedindo alívio, mas submete-se à soberania do Pai.

Não é a dor física que aterroriza Jesus, mas a dor da separação com seu Pai Amado. No entanto, sua rendição é absoluta: a vontade do Pai prevalece sobre a vontade do Filho.

Aplicação: Jesus diz: “Pai, eu quero isso”, mas diz também: “Mas, Pai, eu só quero isso se isso for a sua vontade”. “Porque pior do que o cálice da ira, é viver pela própria vontade e não pela vontade de Deus”.
“O pior castigo que alguém pode receber de Deus é que Ele diga: “Seja feita a sua vontade”. Se Deus fizer minha vontade, tô perdido. Quero a vontade dele”. (Pr. Geraldo Geremias)

b) Paulo e o espinho na carne:

“Então ele me disse: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2 Coríntios 12:9).

Paulo diz ter pedido três vezes para ser livre do “espinho na carne” (doença, perseguição, tentação), mas Deus não o atende.

Ao contrário, Deus diz que o seu poder se “aperfeiçoa” (teleitai) — se completa, chega ao seu propósito, encontra sua plenitude — quando a força humana falha. O poder se Deus cumpre seu propósito em nossa rendição.

Render-se totalmente é aceitar a dor como parte do propósito de Deus, é aceitar que Deus pode não mudar as circunstâncias, mas sempre muda a nós por meio delas.

Guarde no coração: Deus pode não mudar a circunstância, mas sempre muda a nós através dela.

Coloque em Prática: Render-se totalmente é aceitar que até a dor pode ser parte do propósito de Deus.

Nossas guerras: A aceitação da dor (texto de Andréa Guimarães)

Tentei vencer essa guerra, eu confesso.
Minhas mãos ficaram machucadas, pesadas, cansadas.
Tentei escapar daquela experiência comum a todos nós: a dor.
Planos frustrados, projetos fracassados, sonhos abandonados.
A doença que surge de maneira inesperada
A ingratidão de quem menos se imaginava
O luto pela perda da pessoa tão amada
Espinhos... dolorosos na carne e na alma
Pedi tantas vezes: livra-me, Pai!
Até que, exausta, parei para O ouvir.
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na sua fraqueza”
Ah! “De boa vontade, me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.”
Maravilhosa contradição!
Em me entregar, experimentei o consolo.
Em me prostrar, encontrei esperança.
Em me render, fui inundada de paz.

3. A Libertação do Pecado

“Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6.5-7)

A visão do trono de Deus leva Isaías ao desespero: reconhecer a santidade de Deus e sua própria pecaminosidade. “Ai de mim” é expressão de rendição, Isaías se vê sem saída diante da glória de Deus.

Ainda bem que a purificação não vem de esforço humano, mas da intervenção divina (brasa do altar). A rendição ao Reino começa com a confissão e termina na purificação que só Deus concede.

Guarde isso: Só quando nos rendemos e confessamos, Deus nos purifica.

Coloque em Prática: Redenção Total começa com arrependimento e confissão sincera.


Nossas guerras: A libertação do pecado (texto de Andréa Guimarães)

Tentei vencer essa guerra, eu confesso.
Minhas mãos ficaram machucadas, pesadas, cansadas.
Tentei me livrar dessa condição que pesa
sobre todos nós: o pecado.
Procurei esconder sujeiras, limpar manchas, ocultar falhas.
Soberbo achei que, por meus próprios esforços, alcançaria
a perfeição: um limpo coração.
Fracassei. Repetidas vezes falhei.
“Miserável homem que sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?

O bem que quero eu não faço e o mal que faço esse eu não quero.”
Pedi tantas vezes: ajuda-me, Pai!
Até que exausto, parei para O ouvir:
“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?
É Deus quem os justifica
Quem os condenará? É Cristo Jesus quem intercede por nós.
Onde abundou o pecado, superabundou a graça”
Maravilhosa contradição!
Em me entregar, fui purificado.
Em me prostrar, recebi perdão.
Em me render, encontrei a paz.

Conclusão

Maria nos ensina que rendição é confiar sem compreender.
Jesus e Paulo nos ensinam que rendição é aceitar a dor como parte do plano divino.
Isaías nos ensina que rendição é confessar para ser purificado.

O Reino de Deus só se estabelece quando a vontade de Deus prevalece sobre a nossa.
O Reino de Deus só se estabelece quando nós deixamos de lutar contra a vontade de Deus.
… quando nos rendemos!
… quando entregamos nossas armas!
… quando desistimos de fazer nossa própria verdade triunfar.

Qual área da sua vida você vai render?
Qual área da sua vida você vai colocar sobre o altar?
Você vai render-se totalmente ou continuar lutando?

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